A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto realiza, no sábado, 19 de setembro, mais uma edição do Cine Fórum, com a exibição de “Sangue e Areia” (1941). A sessão acontece das 18h às 22h, na sede da instituição, e será seguida de debate conduzido pelos Gêmeos do Cinema, André e Marcos de Castro.
Dirigido por Rouben Mamoulian, o filme acompanha a trajetória de Juan Gallardo, jovem de origem pobre que alcança fama e riqueza como toureiro. À medida que ascende socialmente, o protagonista passa a enfrentar conflitos marcados pela ambição, pelo ego e pelas influências que surgem ao seu redor.
Baseada no romance homônimo do escritor espanhol Vicente Blasco Ibáñez, a obra permite discutir as condições sociais que influenciam as escolhas de Juan. Para Marcos de Castro, embora as touradas conduzam a narrativa, a história também aborda a falta de acesso à educação e à cultura e como essa ausência pode tornar uma pessoa mais vulnerável à manipulação.
Segundo Marcos, o ambiente em que Juan cresceu faz com que ele enxergue a tourada como o único caminho possível, embora pudesse ter seguido outras trajetórias. Em sua avaliação, a conquista de dinheiro e reconhecimento também não representa necessariamente uma transformação positiva. Ao ingressar em novos círculos sociais, o toureiro não dispõe de repertório para compreender plenamente as relações de poder que encontra. Ambição, traição e obsessão atravessam esse percurso e revelam suas contradições.
Um espetáculo construído sem recursos digitais
O encontro também abordará aspectos da realização de “Sangue e Areia”. Produzido pela 20th Century Fox, o longa mostra como os grandes espetáculos eram construídos por meio de cenários, fotografia, figurinos, montagem e efeitos práticos.
As sequências ambientadas nas arenas são apontadas por Marcos como exemplos desse trabalho. Embora a tourada seja marcada pela violência, o filme evita imagens explícitas e utiliza enquadramentos e cortes para sugerir o que acontece. A solução está relacionada tanto à linguagem adotada pelos realizadores quanto às restrições impostas pela censura da época.
A composição visual também integra a análise. Iluminação, sombras e roupas ajudam a caracterizar os papéis e a estabelecer contrastes entre pobreza e riqueza, inocência e sensualidade. Para Marcos, naquele período, cada escolha precisava contribuir para a narrativa. “O figurino tinha que dizer alguma coisa sobre o personagem”, observa.
Dos astros de Hollywood à versão de 1921
Tyrone Power interpreta Juan Gallardo, enquanto Linda Darnell vive Carmen, esposa do toureiro. Rita Hayworth assume o papel de Doña Sol em uma atuação marcante de sua trajetória, cinco anos antes de alcançar projeção mundial com “Gilda” (1946).
O elenco ainda conta com Anthony Quinn, que posteriormente receberia dois Oscars de melhor ator coadjuvante. Para os Gêmeos do Cinema, observar esses artistas em diferentes momentos de suas carreiras ajuda a compreender o sistema de estrelas de Hollywood e a importância dos grandes nomes na atração dos espectadores para as salas de exibição.
A programação incluirá cenas da primeira adaptação cinematográfica de “Sangue e Areia”, lançada em 1922 e protagonizada por Rodolfo Valentino. A comparação entre as duas versões abrirá espaço para discutir as transformações da linguagem audiovisual na passagem do cinema mudo para as obras faladas e coloridas.
Após a exibição, o público poderá compartilhar impressões e confrontar diferentes leituras. Para Marcos, o diálogo prolonga a experiência iniciada com a sessão. “É no debate que eles terminam de assistir, entre aspas, o filme”, afirma.

Serviço
Cine Fórum: “Sangue e Areia” (1941), com os Gêmeos do Cinema
Data: 19 de setembro, sábado
Horário: das 18h às 22h
Local: Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto















